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Tecnologia: como se alinhar às mudanças do mercado

Atualizado: 27 de Jul de 2019


Aptidões digitais ainda são discutidas pelo progresso da automação, mas já sabemos que existem habilidades que estarão em alta no futuro


Um debate pertinente à nossa geração é como a tecnologia vai afetar nosso futuro. A automação já é uma realidade e isso afeta diretamente o mercado, sobretudo para trabalhadores braçais e tarefas mecânicas.


De acordo com Oliver Kamakura, sócio executivo da EY, pós-graduado em gestão de negócios pela Universidade da Califórnia “tarefas manuais que demandem esforço repetitivo têm maior potencial de robotização e, consequentemente, de desmobilização de mão de obra em favor de inclusão de robôs”.


Mas não para por aí: a cada dia treinamos mais e melhor as inteligências artificiais para pensarem como nós e, por consequência, mais e mais empresas estão adotando tecnologias sofisticadas nesse sentido, especialmente em campos como finanças, saúde e seguros, de acordo com a reportagem da Fast Company. Inclusive, nada pode te garantir que esse texto que você está lendo agora não foi escrito por uma inteligência artificial.


Isso porque, assim como diversas áreas, muito em breve o jornalista pode ser substituído por equipamentos e softwares. No Brasil já contamos com o primeiro jornalista robô: o Medir do Poder, que está sendo construído pelo projeto de inteligência artificial Operação Serenata de Amor para acompanhar o que se passa na Câmara dos Deputados. O objetivo é que o dispositivo produza pequenos textos sobre a tramitação de projetos de lei.


Todo mundo já quis um robô como os Jetsons

Cada dia mais próximos das ficções científicas que assistimos na infância, o cenário futurístico pode ser um pouco diferente do que se espera. No lugar de robôs humanoides que nos servem, mecanismos compactos e precisos deslizarão por galpões movendo cargas em velocidade sobre-humana, como os robôs alaranjados Kiva, adquiridos pela Amazon em 2014 e utilizado em 20 armazéns da empresa - eles pesam 145kg e chegam a carregar 340kg.



Com toda essa tecnologia sendo aplicada aos ambientes de trabalho, uma das aflições dos profissionais é conseguir antecipar possíveis vagas em um cenário em contínua mutação. Essa agonia ainda pode aumentar se analisarmos o crescente desemprego em nosso país: de acordo com os mais recentes dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já conta com 13,2 milhões de desempregados - também chamado de desocupados.


Além disso, a PNAD contínua que analisou o trimestre de junho a setembro de 2018 revelou que o setor informal contava com 92,6 milhões de brasileiros - 43% da população brasileira. Com números tão assustadores no mercado de trabalho, não é de se estranhar que a transferência de mão de obra proporcionada pela tecnologia assuste os brasileiros.


Mas tem solução?


Apesar de não ser a situação mais cômoda e até mesmo possível para todos, o cenário de mudanças que se apresenta no mercado exige adaptação e conhecimento das novas tecnologias. As projeções de especialistas mostram tendência no aumento de empregos associados às inovações computacionais, portanto, pesquisadores do setor afirmam que ter mais conhecimento do mundo digital pode ajudar nesse cenário de mudanças.


O setor de Tecnologia da Informação ainda será necessário no futuro, mas também não será exatamente como conhecemos. De acordo com Tim Herbert, vice-presidente sênior de pesquisa e inteligência de mercado da CompTIA, "o crescimento é projetado para quase todas as ocupações de TI que vemos agora até 2024, mas as funções estão mudando e evoluindo".


O consenso é de que haverá carreiras novas, ainda a serem criadas a depender das tendências tecnológicas — 2 milhões de vagas (especialmente, ligadas a computação, engenharia, arquitetura, matemática, mídia e entretenimento) devem ser geradas, na expectativa de especialistas.


Na contramão dessa expectativa, uma pesquisa de 2017, realizada pela consultoria multinacional EY, revelou que uma em cada três profissões existentes hoje deve sumir do mapa até 2025. Ocupações braçais, que põem em risco a vida humana e cujos processos e lógicas são previsíveis têm grande propensão a serem automatizadas nos próximos anos.


Com um cenário tão alarmante e que demanda tantos novos conhecimentos, separamos algumas dicas para quem quer (e pode) se preparar e se especializar para continuar atendendo às necessidades do mercado.


1. Estude Programação

De acordo com especialistas, é urgente a necessidade de que profissionais saibam manipular dados e programar softwares para acompanhar o processo evolutivo da nova indústria. No Brasil, por exemplo, houve um déficit de 195.365 especialistas qualificados e empregados em tempo integral em 2015, de acordo com o Networking Skills in Latin America, estudo que analisa a oferta e a demanda de habilidades técnicas na área da Tecnologia da Informação.


Dentro desse cenário, a programação é uma das áreas mais carentes. A grande demanda está no desenvolvimento de soluções mobile, assim como conhecimentos aprofundados nas tecnologias e linguagens próprias da profissão, como JavaScript e PHP, ferramentas fundamentais para o desenvolvimento da lógica da programação.


Devido à profundidade e à abrangência da área, é importante que o programador estude as diversas linguagens existentes, como Java, Python e Ruby, por exemplo. Geralmente elas são solicitadas no mercado de trabalho, mas a boa notícia é que podem ser aprendidas em cursos próprios.


2. Treine seus atributos

Criatividade e interpessoalidade serão atributos cada vez mais desejáveis, pois ainda estão longe de serem alcançados por dispositivos - mas serão conciliados aos aparelhos emergentes.


Lembre-se que ambas as qualidades podem ser desenvolvidas por meio de leituras, atenção aos ambientes, consumo de cultura e, principalmente, troca de experiências.



3. Abra a mente para tecnologias emergentes

Tecnologias emergentes são aquelas que têm o potencial para criar ou transformar o ambiente de negócios nos próximos 5 a 10 anos e que poderão alcançar grande influência econômica, mas que ainda não se consolidaram.


São tecnologias que geralmente já possuem aplicações práticas, despertam grande interesse de empreendedores, corporações e investidores por seu potencial de rápido crescimento e impacto na sociedade e que ainda não foram plenamente exploradas.


De acordo com Ray Trygstad, professor de TI e diretor de consultoria de graduação no Departamento de Tecnologia da Informação e Gestão da Illinois Institute of Technology, essas tecnologias emergentes criarão novas posições, que exigem uma convergência de habilidades de TI.


4. Se possível, desenvolva habilidades em Segurança Cibernética

Além de todo o debate prático sobre tecnologia, ainda encontramos aqui um debate filosófico sobre como, no futuro, as máquinas reagirão ao que ensinamos para elas hoje. Pensando nisso, a área de Segurança Cibernética é uma das mais cotadas para o setor de TI e espera-se que a demanda cresça significativamente à medida que o volume e a complexidade dos sistemas aumentem.


Em "O Exterminador do Futuro" as máquinas se voltaram contra a humanidade

Essa demanda se dá pela necessidade de garantia de segurança acerca de toda tecnologia que estamos criando. Atualmente, já temos diversos exemplos de como a tecnologia acompanha nossas vidas a todo momento, registrando nossos dados e preferências pessoais. Em cenários ainda mais críticos, podemos até pensar que devemos evitar um futuro distópico, dominado pelas máquinas, como nos alertaram diversas ficções científicas.


5. Tenha fome de dados

Capa da The Economist, em maio de 2017

Em destaque na capa da revista The Economist de maio de 2017 o alerta da manchete trazia uma importante revelação “o recurso mais valioso do mundo já não é o petróleo, mas sim dados”. Com tamanha importância para a realidade atual, as funções relacionadas a dados terão um aumento considerável. De acordo com documento de 2017 da The Quant Crunch, estima-se que o número de empregos relacionados a dados nos Estados Unidos suba para 2,7 milhões em 2020, em comparação a 2,3 milhões em 2015.


Entre as profissões que se enquadram nessa área, podemos mencionar cientistas de dados, engenheiros de big data, gerentes de bancos de dados, desenvolvedores de bancos de dados e arquitetos de dados.


"E agora José?

Imagem retirada do Facebook

A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?"


A gente sabe que não dá pra todo mundo sair estudando T.I. e se especializando nas profissões do futuro, mas lembre-se do que falamos ao longo das dicas: criatividade e habilidades interpessoais ainda serão valorizadas. Cuidar de pessoas e animais, ouvir carinhosamente outro ser humano, criar arte: essas habilidades dependem de empatia e ainda temos um longo caminho até que as máquinas desenvolvam esse atributo.


Releia as dicas e tente trazê-las para a sua realidade. Siga com atenção às tecnologias emergentes e, ainda que não seja especialista, tenha foco nas notícias e no debate. Educação ainda é a chave do desenvolvimento e esse é o único cenário que não parece mudar.

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